"A todos os amigos e visitantes de passagem por esse meu mundo a preto e branco lhes desejo um bom entretenimento, seja através de textos com alto teor poético, através de fotos que uso para compor esse espaço ou das notas musicais na voz de Nara Leão... que nem vejam passar o tempo e que voltem nem que seja por um momento!"

15 de nov de 2012


Oásis

Sou um piano 
esquecido na garganta do mar
entre as ondas aqueço uma canção anoitecida

o tempo dedilhando notas geladas
atravessa meu corpo com a música da morte.

Amadureço uma canção no ouvido dos búzios.
A canção das praias alargando o coração,
palpitando no vazio.
A luz entardece as lágrimas da aurora.

Galopa um cavalo em meu coração
sua crina acende a liberdade em meus olhos de cinza
corcel das ondas batendo contra o tempo
ecos do infinito batendo no peito sedimentado à terra.

O meu nome é uma canção pronunciada do outro lado
um corpo com uma ferida coberta de sal
ardendo o sol em suas veias escuras.
Tenho apenas grãos de areia para cobrir o frio.

Uma lótus cresceu em minha língua coberta de fogo
as mãos buscam arrancá-la
desce pelos vocábulos adormecidos e os acordam.

Acendo as estrelas apagadas nos olhos da vida
depois regresso
o sangue coagulado nas nuvens é meu último poema.

Sou a xícara esquecida na chuva
gotas batem no fundo de rosas fluorescentes 
rachando o nome coberto de areia.

Busco uma lamparina ardendo no corpo da morte.

  Sandrio Cândido

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Não creias nos meus retratos, nenhum deles me revela.
Os meus retratos são vários e neles não terás nunca o meu rosto de poesia.

Gilka Machado